Freelancer x Funcionário: o que paga mais?

Muitos profissionais da área de vídeo começaram a vida empregados em uma empresa. Conforme foram adquirindo experiência, ganharam confiança para aceitar projetos por fora, ou seja, trabalhar de freelancer.

Em algum momento, tais profissionais tiveram que tomar a decisão: continuo no meu emprego que tem um salário fixo “garantido” mas limitado às necessidades do patrão, ou saio do emprego e tenho mais tempo para dedicar a trabalhar como freelancer, possivelmente aumentando minha renda mas sem garantia?

A hora dessa decisão vai chegar. Neste artigo, nós propomos analisar a situação de uma visão puramente financeira, considerando três cenários para um profissional videógrafo:

  • Trabalhando como funcionário
  • Freelancer sem empresa (pessoa física)
  • Freelancer com empresa aberta (pessoa jurídica)

O profissional funcionário

O profissional que trabalha como funcionário em uma empresa trabalha um determinado número de horas fixas (normalmente 44 na teoria, na prática com muitas horas extras) e recebe um salário fixo.

O salário, claro, depende da experiência do profissional, mas geralmente é menor do que o mercado paga para freelancers. Afinal de contas, é por isso que o empregador contratou o profissional para começo de conversa, para baixar custos.

No entanto, o salário que o empregador paga é mais do que o funcionário recebe. Isso porque a CLT obriga o funcionário a contribuir com o INSS e pagar o imposto de renda. Por isso, um funcionário que receba, por exemplo, R$ 3.000,00 de salário, acaba pagando R$ 387,45 entre INSS e IRRF, ficando com o salário líquido de R$ 2.612,55. Abaixo uma relação do que um funcionário recebe e quanto sobra para ele do salário:

  • Recebe R$ 2.000,00, fica com R$ 1.820,00
  • Recebe R$ 3.000,00, fica com R$ 2.612,55
  • Recebe R$ 4.000,00, fica com R$ 3.380,80
  • Recebe R$ 5.000,00, fica com R$ 4.084,88

Se você é um funcionário, Você pode fazer o calculo de salario liquido para simular o seu caso.

O freelancer sem empresa

O freelancer é aquele que recebe contratos de trabalho, normalmente orientados por projeto, e recebe após o término do trabalho.

A maioria dos profissionais começa a vida de freelancer como pessoa física mesmo, ou seja, simplesmente aceitando projetos de conhecidos ou de sites como o Workana e não pensam muito, ou nem tem conhecimento, da necessidade de pagar impostos.

Sim, profissionais que fazem trabalho para outras pessoas físicas precisam pagar impostos! A lei diz que toda pessoa física que receba mais de R$ 1.998,00 de pessoas físicas ou entes residentes no exterior, sem retenção de imposto na fonte, deve declarar essa renda através do programa do Carnê Leão.

Você deve estar pensando: “mas como eles vão descobrir que eu estou recebendo esse dinheiro?” Pois saiba que os bancos notificam a receita federal toda conta que movimenta mais de R$ 5.000,00 por mês. Ou seja, caso você esteja movimentando muito sua conta corrente com dinheiro de freelancing, e isto é incompatível com suas declarações de renda, a receita federal poderá vir atrás de você.

No fim do ano, ao fazer sua declaração de imposto de renda, se você omitir a renda recebida de pessoas físicas, a receita federal poderá multá-lo. Isso equivale a 20% do imposto devido, mais juros.

Quanto é o imposto do Carnê Leão? O imposto é calculado em cima do total recebido no mês de pessoas físicas ou residentes no exterior. O imposto devido é calculado com base na tabela do imposto de renda. A seguir, alguns exemplos de quanto um profissional receberia depois de pagar os impostos do carnê leão:

  • Recebe R$ 2.000,00, fica com R$ 1.992,80
  • Recebe R$ 3.000,00, fica com R$ 2.904,80
  • Recebe R$ 4.000,00, fica com R$ 3.736,13
  • Recebe R$ 5.000,00, fica com R$ 4.494,36

Note como os impostos são menores do que numa situação de funcionário.

O freelancer como pessoa jurídica

Embora os impostos de freelancer sejam mais baixos do que o imposto pago por funcionário, nós aconselhamos fortemente que, ao trabalhar como freelancer, abra uma empresa na modalidade de Microempreendedor Individual (MEI)http://www.portaldoempreendedor.gov.br/. As vantagens são inúmeras:

  • MEI tem CNPJ, e por isso, pode conseguir clientes corporativos que só fazem negócios com empresas (porque precisam de notas fiscais de serviço para a contabilidade)
  • MEI contribui com INSS, que embora não seja muita coisa, é alguma coisa para o caso de necessidade
  • O MEI paga um imposto muito, muito baixo.

Para ter uma ideia, O profissional de vídeo que é MEI paga mensalmente 5% de um salário mínimo como contribuição ao INSS e mais R$ 5,00 de Imposto sobre Serviço, totalizando R$ 54,90 de imposto mensal, não importa o quanto receba. Alguns exemplos do que sobra líquido para o MEI:

  • Recebe R$ 2.000,00, fica com R$ 1.945,10
  • Recebe R$ 3.000,00, fica com R$ 2.945,10
  • Recebe R$ 4.000,00, fica com R$ 3.945,10
  • Recebe R$ 5.000,00, fica com R$ 4.945,10

Note que a partir de aproximadamente R$ 3.000,00 de renda mensal já compensa ser MEI. Portanto, aconselhamos muito que se você se encontra nessa situação, procure abrir um MEI.

Existem algumas limitações para ser MEI. Primeiro, um MEI só pode faturar até R$ 81.000,00 por ano. Isso equivale a uma média de R$ 6.750,00. Acima disso, o profissional precisa se desenquadrar do MEI e passar a empresa para uma ME normal.

Segundo, quase todas as profissões de vídeo podem ser MEI: produção, edição, gravação de vídeo e áudio, animação, edição de créditos, pós-produção e efeitos especiais, reprodução e cópia de filme, laboratório, montagem, recuperação e restauração. O que não está coberto por MEI são as atividades de reprodução de DVDs e fitas, dublagem, mixagem sonora, revelação de filmes fotográficos e profissionais de eventos ao vivo (diretores, produtores, roteiristas, coreógrafos, etc).

Conclusão

Dito tudo isso, nós recomendamos o seguinte:

  • Comece como profissional funcionário em uma empresa. Isso irá garantir estabilidade enquanto adquire experiência
  • Passe a aceitar trabalhos como freelancer no seu tempo livre
  • Quando você identificar que, parando de trabalhar no seu emprego fixo e se dedicando completamente ao trabalho freelancer, você conseguirá se sustentar, talvez seja hora de largar o emprego
  • Não aconselhamos que você abra o MEI enquanto for empregado, porque o MEI não tem direito a seguro desemprego caso seja demitido
  • Quando esses trabalhos começarem a passar consistentemente dos R$ 3.000,00, abra um MEI para pagar menos imposto

Esperamos que esse artigo possa esclarecer esse ponto de virada, pensando conscientemente no aspecto financeiro.